O agronegócio brasileiro em época de “Fake News”

//O agronegócio brasileiro em época de “Fake News”

O avanço na comunicação e o acesso fácil a informações transformou o mundo em uma aldeia globalizada. Qualquer pessoa conectada à internet pode acessar conteúdos sobre os mais diferentes assuntos. Porém, também estamos diante de um dos principais problemas da atualidade: a proliferação de informações falsas ou com interpretações equivocadas. Elas são compartilhadas de forma distorcida ou descontextualizadas e transformam o imaginário das pessoas que na sua maioria, passam a multiplica-las num apertar de botões.

Um exemplo disso são os ataques realizados ao agronegócio. O “termo da moda” é agricultura familiar, como se ela não fizesse parte do setor e a grande maioria das empresas do agronegócio não fossem familiares. Poucas atividades no Brasil são tão benéficas como a produção e exportação de alimentos. Com esse trabalho temos tido o reconhecimento internacional pela competitividade e eficiência, alcançando crescentes patamares de produção.
O resultado de tudo isso é a geração de 27% do nosso PIB e de 37% dos empregos, somando todas as exportações.

No entanto, o setor é um dos mais sofridos com as “fake news”. Diariamente, são divulgadas informações sem base técnica, ampliando ainda mais as dificuldades para o seu desenvolvimento. Estas “fake news” atacam as principais cadeias produtivas utilizando temas sensíveis como alimento seguro, meio ambiente e saúde pública.

A chamada “agricultura tóxica” propaga que os produtos agrícolas, entre eles as frutas e hortaliças, são tóxicos e causam doenças crônicas como o câncer. Mas quais os principais problemas de saúde dos brasileiros? Obesidade, doenças cardiovasculares e câncer. E qual seria a solução? Alimentação saudável com base em frutas e hortaliças, mas que, hoje, o brasileiro consome somente 25% do que é recomendado pela Organização Mundial da Saúde .É um paradoxo. As notícias que as frutas e hortaliças estão envenenadas resultam numa redução de consumo, além de desestimular os produtores responsáveis pelo abastecimento diário da população. Enquanto isso, os trabalhos de monitoramento e avaliação de risco ao consumidor feitos pela ANVISA entre 2001 e 2015 demonstraram que o percentual de amostras com resíduos de produtos autorizados acima dos Limites de Tolerância caiu de 9,6% em 2001 para 1,33% em 2015, enquanto para os produtos não autorizados este índice vem caindo significativamente,
de 32% em 2011 para 16,7% em 2015, com um potencial de risco agudo em 1,11%, menor que o de muitos países desenvolvidos. Seguimos avançando em tecnologia para melhorar ainda mais.

*O Estado – Online | CE