Cacau Baiano será valorizado 70% devido registro no INPI

//Cacau Baiano será valorizado 70% devido registro no INPI

Efetivada, indicação geográfica do produto do Sul do estado terá valor agregado O cacau da Bahia, estado que lidera a produção da amêndoa no Brasil, a partir de agora terá um selo de origem que reconhece a sua indicação geográfica e servirá para agregar mais valor ao produto tanto no Brasil quanto no mercado externo.

O registro de Indicação Geográfica (IG), na espécie Indicação de Procedência (IP), foi publicado na edição de terça-feira (24) da Revista de Propriedade Industrial (RPI) nº 2468, do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI ),autarquia federal. A área geográfica beneficiada com a IG abrange um cultivo estimado 61.460 km²,em 83 municípios e seis territórios regionais: Baixo Sul, Médio Rio de Contas, Médio Sudoeste da Bahia, Litoral Sul, Costa do Descobrimento e Extremo Sul. O pedido pelo reconhecimento foi feito pela Associação dos Produtores de Cacau do Sul da Bahia (APC), que liderou um movimento em prol da cultura, formado por representantes do setor produtivo e Governo do Estado.

A busca pelo selo foi iniciada em 2014, mas as discussões sobre assunto começaram há mais de 10 anos. A indicação geográfica oferece a garantia de origem do cacau do sul da Bahia e traz agregação de valor, ao posicionar o produto como único. A Bahia já possui o mesmo reconhecimento para as uvas de mesa e manga do Vale do Submédio São Francisco e para a cachaça de Abaíra, na Chapada Diamantina, as quais conquistaram o título em 2009 e 2014, respectivamente. Na safra 2016/2017, a safra de cacau na Bahia foi de 104.820 toneladas de cacau, ante as 145.630 toneladas de 2015/2016, segundo informações da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac).
A produção de cacau na Bahia, cujo setor gera 80 mil empregos diretos e indiretos, responde por 54% da produção nacional, de 274 mil toneladas em 2017 (estimativa), 28% a mais que 2016, ano em que os produtores de cacau faturaram R$ 1,2 bilhão.

 “A IG garante uma maior organização à cadeia produtiva, porque os produtores passam a trabalhar em cooperação; valoriza o potencial turístico da região, toda a tradição sociocultural e histórica local, que está ligada ao cacau”, disse. Santana observa que “o mercado consumidor está cada vez mais exigente e quer um produto diferenciado, que siga as normas ambientais e tenha história, qualidade superior e originalidade comprovada, principalmente os compradores do cacau destinado à produção de chocolate, o chamado ‘cacau fino’.”
Segundo ele, “tem empresas pagando 70% mais caro que o normal, para adquirir produto com esses requisitos”. Para o analista de mercado e especialista na commodity cacau, Thomas Hartmann, a indicação geográfica é importante para os fabricantes de chocolate, mas o que a Bahia precisa mesmo é melhorar a produção, já que as empresas ainda tem de recorrer ao cacau africano para atender à demanda por chocolate. Segundo a Tech Navio, uma empresa de pesquisa de mercado, as importações de cacau no Brasil devem crescer em volume, 2,4% ao ano, até 2019. O consumo
mundial de cacau é de 4,2 milhões de toneladas.

 

Fonte:  27 de abril de 2018
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